As três divisões de magia conforme Giordano Bruno

Existem três classes de magia segundo Giordano Bruno: Magia Divina, Magia Mathematica e Magia Natural.
Magia Divina
A Magia Divina têm a ver com a Fonte, a chave mestra do universo.
Existem vários textos misticos que procurar fazer uma ponte com essa realidade como por exemplo no Tao te ching, o principal texto do taiosmo.
Para Platão a mais alta das ideias/formas era a ideia de Bem.
Para Plotinus a fonte era o Um.
Aqui fica Deus (para muitos uma força impessoal).
Giordano diz assim “No cima da escala está Ele, ato puro e potência ativa”.
Alguns como Plotinus ou Porphyry achava que se podia chegar a Deus pela filosofia *1 (que é o amor a sabedoria), outros como  Proclus ou Iamblichus dizem que se pode chegar a Deus a partir da prática de Theurgia.
*1 A palavra filosofia foi criada por Pitágoras.
Magia Mathematica
Intellectus – Giordano Bruno
A Magia Mathemica serve como intermédio entre Magia Divina e a Magia natural.
Aqui reside o grande segredo da maçonaria.
Antigamente a matematica comum e matematica sagrada eram dadas lado a lado nas escolas dos mistérios.
Os maçons inicialmente um sociedade de “arquitectos” e “constructores” de edificios  reais ao estudarem principios matemáticos para desenvolverem a sua arte acidentalmente deram de caras com a geometria sagrada presentes em escritos como o de Euclides. Sim eu sei muito bem que esta não é a história contada para o vulgo.
O uso Hexagrama e o Pentagrama são encaixados nesta categoria, pois eles foram  formulados de acordo com a numerologia e geometria sagrada.
Sendo assim pentagrama e o hexagrama não possuem nenhuma simbologia subjectiva que cada um lhe pode atribuir conforme lhe apetecer, mas são construídos sobre  princípios numéricos do universo.
Como poderia se supor pelo nome ela não está só limitada a numerologia sagrada e  geometria sagrada.
Giordano Bruno diz:
“O gênero matemático não recebe aqui esta demoninação a partir das categorias matemáticas comumente reconhecidas – a geometria, a aritmética, a óptica, a música, etc…”
A óptica é um ramo da Física que estuda a luz ou, mais amplamente, a radiação eletromagnética, visível ou não.
A óptica explica os fenômenos de reflexão, refração e difração, a interação entre a luz e o meio, entre outras coisas.
É normal que a óptica se encontre nesta categoria, pois a fisica é uma irmã da matemática. Giordano Bruno advertiu que os magos negros podiam utilizar o pentagrama para usos impróprios.
A música para os antigos era dada a par com matemática, pois ele consideravam que tinham relação próxima.
O percussor de uma ligação entre a Música e Matemática foi o Pitágoras quando arranjando cordas de comprimentos diferente
descobriu que as vibrações sonoras naturalmente ocorrem em uma seqüência de tons inteiros ou notas que se repetem em um padrão de sete.
Sendo este o primeiro experimento cientifico registado da história. Depois ele também estudou os rátios músicas.
Até aos dias de hoje Pitagoras é considerado o fundador da grande ordem.
Nesta categoria também se podem incluir outros princípios abstratos puros como outras formas de Platão excluindo a ideia de Bem.
Esta categoria corresponde ao Nous de Plotinus.
Giordano no Tratado de Magia também refere:
“Se se junta em quinto lugar, palavras, cantos , relações de números e tempos, de imagens, figuras, selos, de caracteres ou letras, é porque se trata de uma magia intermediária entre a magia natural e a extranatural ou sobrenatural, que há que descrever de forma mais apropriada como magia mathematica
ou como filosofia oculta, nome que ainda melhor lhe caberia.”
Neste categoria inclui-se então também os quadrados mágicos que são formulados segundo princípios matemático,  e os selos planetários que são formulados a partir dos quadrados mágicos.
Existem várias formas de criar símbolos, mas todas elas seguem um padrão matemático.
Claro depois se seguiram os feiticeiros que tentaram copiar os sigilos dos antigos textos sem compreenderem os seus princípios, criando sigilos seguindo os conteúdos desordenados das suas mentes subjectivas sem qualquer base mathematica.
No Hebraico e Grego antigo não havia distinção entre números e letras, ou seja, a cada letra era atribuído um número. Dai surgiram técnicas de estudo dos princípios numéricos da palavra como a Gematria.
Os nomes de poder são fundados sobre os princípios numéricos das palavras.
Segundo o livro cabalistico Sefer Yitizirah, ou Livro da Criação,, Deus criou o mundo com as 22  letras hebraicas.
Crowley estando a corrente disso criou os nomes das suas divindades segundo a gematria, e cada  uma encerra um princípio numérico.
A própria palavra Grega Thelema que significa vontade têm o mesmo valor númerico (93) que a palavra Grega Ágape.
O sistema de Thelema de Crowley é fortemente fundada na magia mathematica e isso pode ser percebido facilmente pela sua famosa equação 0=2. Esta é categoria da magia mais temida pelos iniciados, e muitos consideram que é melhor que o vulgo se fique pela magia natural ou suas desilusões. “Uma vez feita esta distinção preliminar, concebemos a magia enquanto tripla: divina, natural e matemática. As duas primeiras magias são seus gêneros necessariamente boas e excelentes; o terceiro gênero de magia é bom ou mau consonante os magos mal ou bem usarem. Se bem que na maior parte das operações importantes estes generos se entreajudem, a malícia e o crime e o agravo de idolatria podem ser encontrados no terceiro gênero, onde talvez já tenha acontecido que alguém se tresmalhase ou iludisse – o que pode contribuir para subverter o segundo gênero, por si só bom, no sentido de um mau uso.”
Magia Natural
A magia elemental e da natureza encontra-se aqui.
“Em segundo lugar, emprega-se o termo mago para designar aquele que realiza prodígios pela simples aplicação de princípios ativos e passivos, tal como em medicina e em quimica: trata-se daquilo a que comumente se chama de magia natural.” – Giordano Bruno
“Em quarto lugar, se se recorrer a virtude das simpatia e antipatia das coisas, tendo em conta que as substâncias repulsam, transmutam ou atraem outras substâncias (tal como o imã e outros corpos semelhantes cujos efeitos não se reduzem apenas as qualidades ativas e passivas mas todas do espirito ou alma que existe em todas as coisas), falar-se-a com propriedade de magia natural,” – Giordano Bruno
De acordo com ciência moderna aproxima-se da biologia, geologia, e química.
As reações Químicas são muito mais lentas que as reações físicas, e são estas reações que governam biologia humana.
As forças de instinto de sobrevivência e reprodução de Darwin também se encaixariam bem  aqui.
“sob cujo efeito uma criança ou um recém-nascido, se vê uma serpente, ou uma ovelha, se vê um lobo, concedem, alheios a toda experiência, a imagem da inimizade ou do temor de morte ou de sua perdição – relação que reside no sentido interno, afetado de forma viva, ainda que indireta, pelas imagens externas…” – Giordano Bruno
Nós que temos um conhecimento melhor da natureza graças a ciência podemos levar esta categoria de magia para um nível a que os antigos não sonharam.
Como Eliphas Levi diz “Esta filosofia tem, pois, por princípio o que existe, e nada tem de hipotético nem de casual.”
Esta categoria corresponde com a Alma de Plotinus.
Agrippa também se debruça sobre esta categoria quando fala por exemplo das propriedades dos animais.
Os Egipcíos estudaram os animais a fundo para representarem os deus Deuses.
Como diz o principio hermético existe uma correspodência entre o que está em baixo e o que está em  cima, nega-lo seria negar a unidade do universo.

via Hidromel da Magia: As três divisões de magia conforme Giordano Bruno.

Um comentário em “As três divisões de magia conforme Giordano Bruno

Deixe uma resposta

This blog is kept spam free by WP-SpamFree.